Fausta
Há tempos entrei no decepcionante mundo dos adultos, mas tenho a alegria de poder visitar o universo das crianças quando quero; sempre quero.
As crianças, seres ainda puros, porém honestos em sua essência, são capazes de brincar com crianças sem dedo, sem mão, sem braço, sem pé, sem perna, especiais, com pé grande, nariz achatado, cabelo pra cima, boca pro lado... E sabe o que elas veem? Companhia. Um companheiro para as suas brincadeiras, um amigo.
A criança não fica lembrando para pessoas "diferentes" que elas são diferentes. Pois nem veem isso. O adulto chama a atenção para esse fato toda vez que fala algo do tipo "aquele seu amigo que tem um olho só fez isso ou aquilo", quando a criança só tinha visto o amigo.
E assim, o maldoso adulto-preconceituoso vai disseminando sua ira sobre as pessoas, suas frustrações, seus medos, sempre procurando por algo que julgue pior do que ele mesmo para poder apontar.
A criança vive num mundo onde os meninos de rosa e as meninas de azul são aceitos em suas brincadeiras. Ainda não existe o preconceito; Até que a "morte" vem e os separa. A morte da qual falo é quando a inocência da criança é roubada e tomada por conceitos preconceituosos que, erradamente, a obriga a reparar, por exemplo, que o menino de rosa devia usar azul... e daí ela passa a olhar para isso porque alguém falou para ela reparar. E tudo vira um problema. E a roupa rosa do menino, que antes passava despercebida até por ele mesmo, agora tem sua cor acentuada, "pre-conceituada". E muitos riem. E começam a rir também do pé torto da menina, do silêncio do primeiro da fila na sala de aula, da falta de beleza física (no gosto deles), de outros.
Ora, que pátria é essa que permite esse tipo de coisa?
Que mundo é esse que trata com (in)diferença o que não é capaz de entender?
Quem concedeu o direito para que alguém interfira no mundo de outro alguém e queira mudar, matar ou simplesmente humilhar esse alguém?
Ninguém.
Ninguém concedeu o direito.
Mas aí é tarde. Pois as horas da infância passaram e, agora, o jovem sofrendo, faz sofrer. Digo sofrendo porque alguém que tem coragem de ferir a integridade de outra pessoa é alguém que sofre do pior mal que já existiu...
Quando o preconceito grita, sai de você e está atingindo diretamente outra pessoa, é hora de você se perguntar o por quê disso tudo. Procurar. Está em você a resposta.
Seja livre. Todo mundo quer ser livre.
O preconceituoso, o maldoso, está preso numa jaula apertada, mas tem a chave nas próprias mãos.
Abra. Saia. Não aponte o que você pensa ser defeito em outra pessoa. A outra pessoa tem sentimentos. A outra pessoa está fora da jaula e você a quer prender.
Para quê?
Saia da sua jaula. Deixe que a vida de todos aconteça como tem de ser. Viva a sua.
A diversidade existe e sempre existirá, quer você queira ou não. Existia antes de você e continuará existindo quando você for embora.
Você não pode mudar as pessoas. Mas pode mudar a si mesmo.
Olho para as crianças e penso, com tristeza, que elas nasceram puras e "precisam" ser orientadas por alguém para crescerem como verdadeiras cidadãs. Mas, quem está orientando as crianças?
Você?
Penso que precisávamos ensinar para as crianças o que deveríamos aprender com elas.
Não sabe do que estou falando? Visite por pelo menos um dia o mundo de uma inocente criança.
TODOS NÓS SOMOS ACEITOS NO MUNDO DA CRIANÇA. Observe este pequeno-grande-mundo do qual falo. Aprenda com ele. E também nunca entenderá por que que o adulto não conservou o sentimento de igualdade.
No mundo da criança não existem preconceitos porque não existem diferenças.
Quem vê diferença é você.
Sabe essa mão do preconceito que você tantas vezes usa para agredir os outros? Pois é. Provavelmente também falta-lhe um dedo nela. Os outros adultos verão isso, até pela marca que ela deixa... Mas a criança, esta jamais verá.
Livre-se dessa educação que te tirou a igualdade.
Eduque-se, apartir de agora, como uma criança antes de ter sido educada por adultos (por tipos preconceituosos de adultos), e a vida de todos será simples como montar uma casinha para brincar;
Uma casinha com filhos de todas as raças e reinos. (28/11/2010)

E 'Tava Escrito - Fausta - Sacerdotisa de Sapho

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Fausta
O que fazer antes de pensar?
Pensar ou fazer?